Uma lâmina que brilha sob a chuva do norte, um cabo de madeira curtida que vibra com o eco dos escudos: assim nasce a imagem clássica dos machados de guerra. Neste artigo, exploraremos como estas armas, forjadas entre a necessidade e a lenda, vieram a definir táticas, símbolos e técnicas que perduram na recriação histórica e na cultura popular.
Por que os machados ganharam um lugar preferencial nos exércitos e na memória coletiva? Porque são armas simples na sua conceção e complexas no seu uso: combinam equilíbrio, fio e um design intimamente ligado à cultura do guerreiro que as empunha. Aqui aprenderá a identificar os tipos chave, entender a sua evolução histórica, conhecer os seus usos táticos e descobrir como eram fabricados e mantidos. Além disso, veremos comparativos práticos, uma cronologia detalhada e dicas técnicas sobre lançamentos e conservação.
Machados medievais: evolução e marcos históricos
A história dos machados estende-se desde as primeiras ferramentas de pedra até às peças especializadas do final da Idade Média. A cronologia que se segue recolhe os marcos essenciais para compreender como armas humildes se tornaram emblemas de guerreiros.
| Época | Evento |
|---|---|
| Origens antigas | |
| Tempos pré-históricos | Os machados são utilizados como ferramentas e armas desde épocas muito remotas. |
| Antes do século V | A francisca já é conhecida como arma tradicional dos germanos ocidentais antes da sua associação e popularização pelos francos. |
| Alta Idade Média (séculos V–VIII) | |
| Séculos V–VIII | A francisca (também chamada francesca), machado de origem germana ocidental, é empregada assiduamente pelos francos desde a dinastia merovíngia até à carolíngia; o seu nome reflete essa conexão étnica. |
| Ano 486 | Na Batalha de Soissons a francisca tem um papel decisivo quando Clóvis I derrota as forças romanas de Siágrio, consolidando o Reino Franco. |
| Ano 507 | A francisca volta a mostrar-se eficaz na Batalha de Vouillé contra os visigodos. |
| Design evolutivo | As primeiras franciscas apresentam um design simples; com o tempo aparecem versões com formas e decorações mais complexas. |
| Século XI | |
| Contexto geral, século XI | A francisca e outros tipos de machados influenciam as armas da Europa altomedieval. |
| 14 de outubro de 1066 (Batalha de Hastings) | O exército anglo-saxão inclui numerosos huscarles equipados com machados:
|
| Séculos XII–XIII | |
| Século XII | No norte da Europa evolui o machado de guerra (securis, securis missilis, francisca, bipennis) e é conhecido por povos celtas e germânicos. |
| Século XIII | O machado dinamarquês atinge grande popularidade, embora comece a perder preeminência por mudanças em defesas, táticas e composição dos exércitos. Os machados vikings (de batalha, de duas mãos e de arremesso) são armas relevantes na cultura nórdica. |
| Século XIII (Castelo de Sídon) | Em fossas comuns do castelo de Sídon (Líbano), restos de cruzados do século XIII mostram feridas por espadas e maças; o achado contextualiza a violência da época embora não enumere especificamente feridas por machados. |
| Finais do século XV – princípios do século XVI (contexto castelhano) | |
| Século XV | Em fortalezas castelhanas como Pedraza de la Sierra e Torremormojón, os machados fazem parte do armamento ofensivo juntamente com espadas, lanças e adagas. |
| 1506 (Inventário de Torremormojón) | São registados cinco feixes de dardos com os seus ferros e é mencionado um machado de armas de mão. |
| 1512 (Inventário de Pedraza de la Sierra) | São contabilizados 48 machados no total; distinguem-se dois tipos: machados de mão (menos numerosos, pequenos) e machados de armas (maioritários, 37 peças), divididos em grandes e pequenas —dez das pequenas estão guarnecidas em seda e couro, indicando um caráter senhorial ou de luxo. |
| Legado moderno | |
| Atualidade | A francisca e outros machados históricos mantêm-se em competições de lançamento, recriações históricas e cultura popular (romances, cinema, videojogos), conservando a sua imagem como arma simbólica medieval. |
Tipos chave e como reconhecê-los

Antes de entrar na mecânica e nas técnicas, é essencial reconhecer as variantes que se agrupam sob a etiqueta “machados de guerra”. Abaixo encontrará um guia prático para identificá-las pela sua forma, função e contexto histórico.
Francisca
A francisca é o machado franco tradicional: assimétrico, com uma lâmina que favorece o lançamento e o corte. Era relativamente curta (50–60 cm) e pesada o suficiente para imprimir rotação estável ao ser lançada. Foi uma arma idealizada para o combate massivo e a rutura de formações.
Machados vikings e dinamarqueses
Na cultura nórdica a variedade impera: machados de mão, de arremesso e os grandes machados dinamarqueses de duas mãos. Os machados vikings mostram uma relação entre ferramenta e arma; a sua estética é frequentemente decorada com motivos animais e runas.
Machado de armas e pollaxe
Quando as placas aparecem, o machado evolui: peitorais, pontas no reverso e designs pensados para penetrar ou deformar armaduras. As pollaxes ou poleaxes são o resultado dessa especialização, combinando fio e percutor num só instrumento de guerra.
Comparativa funcional: como a forma e o peso influenciam
Entender a diferença entre um machado de arremesso e um machado de choque é chave para interpretar o seu uso em batalha. A seguinte tabela resume atributos importantes.
| Tipo | Peso aproximado | Comprimento do mastro | Vantagem tática |
|---|---|---|---|
| Francisca | 600–900 g | 50–60 cm | Lançável e eficaz contra formações; excelente equilíbrio rotacional. |
| Machado viking (mão) | 600–1200 g | 40–70 cm | Versátil para combate e tarefas; rápido no intercâmbio corpo a corpo. |
| Machado dinamarquês (duas mãos) | 1.5–3 kg | 120–180 cm | Grande poder de corte e alcance; devastador contra pouca armadura. |
| Machado de armas / Pollaxe | 1–2.5 kg | 70–120 cm | Projetado para penetrar e deformar armaduras; combinado com picaretas e contra-fio. |
Forja, materiais e segredos do ferreiro
Os machados de guerra eram forjados com uma mistura de pragmatismo e conhecimento do metal. Um bom fio era obtido combinando ferro e aço, por vezes através de técnicas de soldadura ou inserindo uma tira mais dura na margem.

O tratamento térmico controlado era essencial: um fio duro e uma espinha mais dúctil reduziam o risco de fratura. O olhal onde o cabo é encaixado era reforçado com anéis ou colares metálicos para evitar que a cabeça se soltasse em combate.
Madeiras e empunhaduras
O freixo e a nogueira eram escolhas frequentes pela sua combinação de resistência e flexibilidade. Os cabos eram curvados e temperados para absorver golpes e melhorar a aderência. Em exemplares de status usavam-se revestimentos de couro, seda ou incrustações decorativas.
Técnicas de combate: impacto, engate e lançamento
O machado não é apenas força bruta; a sua efetividade reside na técnica. Desde cortar em arco até engatar um peitoral inimigo, as manobras requerem controlo do equilíbrio e do centro de gravidade.
Os machados de arremesso, como a francisca, dependiam de uma rotação controlada: um lançamento limpo com a soltura exata faz com que a lâmina chegue no ângulo ótimo para se cravar. Em combate cerrado, os machados eram brandidos com cortes ascendentes e descendentes, procurando superfície exposta ou pontos de união da armadura.
Manobras de controlo
- Engate: usar a “barba” de um machado para prender um escudo ou uma lança e desestabilizar o inimigo.
- Golpe em dobradiça: impactar com a parte superior da lâmina para dobrar ou partir uma margem de armadura.
- Corte curto: movimentos rápidos destinados a enfraquecer a defesa antes de um assalto maior.
Réplicas, uso moderno e conservação
Hoje, os machados históricos vivem em réplicas funcionais, decorativas e em peças para LARP. Cada réplica exige decisões de design que equilibram autenticidade, segurança e funcionalidade.
Manutenção e conservação
Um fio bem conservado evita ruturas: limpeza após o uso, proteção com óleos e armazenamento em locais secos são essenciais. Óleos minerais ou de camélia e gorduras não ácidas ajudam a proteger o metal sem danificá-lo.
| Tipo de óleo | Características principais | Uso recomendado |
|---|---|---|
| Óleo mineral | Alta penetração, não se degrada nem atrai sujidade | Proteção regular e manutenção |
| Óleo de camélia | Natural, livre de ácidos, não volátil | Proteção antioxidante, lubrificação |
| Massa de lítio | Densa, duradoura, não se evapora | Armazenamento prolongado, proteção |
- Óleo mineral
-
- Características: Alta penetração, não se degrada nem atrai sujidade
- Uso recomendado: Proteção regular e manutenção

Como escolher uma réplica de acordo com o seu propósito
O objetivo condiciona a escolha: uma peça para exposição pode priorizar decoração e acabamentos; uma funcional deve oferecer tempera, olhal reforçado e um cabo de qualidade. Para LARP prioriza-se a segurança e materiais com acabamentos sem fio perigoso.
Lista de verificação rápida
- Autenticidade do perfil e das dimensões.
- Qualidade do aço e prova de tempera.
- Reforço do olhal e ajuste firme do cabo.
- Acabamentos do punho e materiais de revestimento.

Esclarecendo dúvidas sobre o machado francisca e o seu contexto histórico
Quais foram as técnicas mais eficazes para lançar um machado francisca?
As técnicas mais eficazes para lançar um machado francisca são:
- Lançamento com ambas as mãos:
- Segurar o machado com ambas as mãos firmemente, alinhando a lâmina para que o fio não se incline para nenhum lado.
- Elevar o machado acima da cabeça com o tronco ligeiramente inclinado para trás para ganhar impulso.
- Lançar com um movimento rápido e seco, soltando o machado quando os braços estiverem estendidos à frente do tronco.
- Flexionar o joelho e manter o cotovelo em posição perpendicular melhora a estabilidade e controlo.
- Ombros e anca devem estar paralelos ao alvo para assegurar precisão.
- Lançamento com uma mão (mais avançado):
- Colocar um pé à frente mantendo distância à largura dos ombros.
- Baixar o braço pelo lado exterior da perna adiantada, depois subir o machado após passar a perna.
- Impulsionar o machado para a frente quando estiver à altura da cabeça e soltá-lo quando o braço estiver paralelo ao chão, com um lançamento firme e sem hesitações.
- Detalhes técnicos chave:
- O cotovelo deve estar perto do corpo e o braço reto no movimento para trás.
- Solta-se o machado no momento preciso para que gire a quantidade necessária para se cravar no objetivo, geralmente quando metade do cabo está em visão periférica.
- Permitir que o braço siga o movimento após o lançamento ajuda a manter a fluidez.
Estas técnicas combinam controlo, potência e precisão, aproveitando o peso e a forma do machado francisca para que gire e se crave corretamente no alvo. A prática do tempo e da distância também são cruciais para a efetividade do lançamento, especialmente em contexto de batalha ou competição.
Que diferenças existem entre o machado francisca e o machado viking?
As diferenças principais entre o machado francisca e o machado viking são o seu design, uso e características específicas:
- Machado francisca: Tem uma lâmina característica com fio largo e curvado, assimétrica, com um bordo superior muito curvado e o inferior reto ou ligeiramente côncavo. O seu comprimento costuma ser de 50 a 60 cm e é relativamente leve (600 a 900 gramas). Era usado tanto para combate corpo a corpo como arma de arremesso, otimizado para ser lançado, com um cabo de madeira dura e uma lâmina de ferro forjado ou com inserções de aço. A forma curva da lâmina aumentava a capacidade de penetração e ferimentos.
- Machado viking: Refere-se a vários tipos, mas os mais famosos são o machado de mão e o machado barbudo. O machado de mão é menor, mais leve, com lâmina curta e larga e cabo curto, versátil para combate e uso quotidiano. O machado barbudo apresenta uma lâmina longa e curvada para baixo, parecida com uma “barba”, projetado para engatar e puxar, mais pesado e usado principalmente em combate, capaz de causar danos profundos e penetrar armaduras.
Estas diferenças refletem as suas origens culturais e táticas distintas: a francisca otimizada para ser lançada em massa em batalha franca, e os machados vikings mais variados para combate direto e trabalhos diários.
Como o machado influenciou a tática de combate dos vikings?

O machado influenciou na tática de combate dos vikings ao oferecer-lhes uma arma versátil, leve e eficiente, que permitia ataques rápidos e precisos capazes de penetrar armaduras e quebrar escudos. O seu design, como o do machado de barba ou o machado dinamarquês, facilitava manobras tanto em combate corpo a corpo como o lançamento à distância, incrementando a adaptabilidade tática dos guerreiros. Além disso, os vikings usavam técnicas de agarre especiais para engatar e controlar o oponente, e a combinação do machado com outras armas enriquecia as suas formações e estilos de luta. Esta versatilidade e eficácia fizeram do machado um símbolo de poder, agilidade e destreza no campo de batalha, fundamental para as táticas vikings, especialmente para os berserkers que aproveitavam a sua força bruta.
Que simbolismo tinha o machado viking na cultura nórdica?
O machado viking simbolizava a força, a guerra, a coragem e a proteção na cultura nórdica. Além disso, representava o poder tanto em sentido militar como social, sendo um emblema de status para guerreiros e líderes quando estava decorado. Na mitologia nórdica, vinculava-se a divindades como Thor e Freyr, simbolizando a capacidade de dar e tirar vida, refletindo assim a dualidade entre destruição e proteção.
Que características tornam o machado dinamarquês tão temido em combate?
O machado dinamarquês era temido em combate pelo seu cabo longo (até 1,5 metros) que proporcionava um grande alcance, e a sua lâmina larga e delgada (aproximadamente 30 cm) de ferro duro, capaz de infligir cortes devastadores. O seu design permitia empunhá-lo com ambas as mãos, combinando potência e mobilidade, o que o tornava especialmente letal contra inimigos com armadura e em combates corpo a corpo. Além disso, a sua cabeça mais leve que outros machados de guerra facilitava ataques rápidos e flexíveis sem perder força ofensiva. Tudo isso convertia o machado dinamarquês numa arma imponente e eficaz na batalha.
As perguntas começam com o símbolo ¿ e terminam com o signo de interrogação ?, e aqui se seguiram essas pautas para cada pergunta.
| Tipo de óleo | Características principais | Uso recomendado |
|---|---|---|
| Óleo mineral | Alta penetração, não se degrada nem atrai sujidade | Proteção regular e manutenção |
| Óleo de camélia | Natural, livre de ácidos, não volátil | Proteção antioxidante, lubrificação |
| Massa de lítio | Densa, duradoura, não se evapora | Armazenamento prolongado, proteção |
- Óleo mineral
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- Características: Alta penetração, não se degrada nem atrai sujidade
- Uso recomendado: Proteção regular e manutenção
- Óleo de camélia
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- Características: Natural, livre de ácidos, não volátil
- Uso recomendado: Proteção antioxidante, lubrificação
- Massa de lítio
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- Características: Densa, duradoura, não se evapora
- Uso recomendado: Armazenamento prolongado, proteção
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