Que segredos esconde o gume de uma espada forjada na forja da história? Dentro dos anais do tempo, poucos objetos capturam a imaginação como as espadas lendárias, e entre elas, a Espada de Godofredo I emerge como um estandarte de valor, fé e liderança. Mas, quem foi este Godofredo, e por que a sua espada ressoa com tanta força através dos séculos? Acompanhe-nos nesta viagem através da história para descobrir o verdadeiro significado desta arma icónica, desvendando o seu legado militar e espiritual para o mundo medieval.

Uma viagem no tempo: Cronologia dos Godofredos e a evolução das espadas
A história apresenta-nos vários líderes com o nome de Godofredo, cada um deixando a sua marca em épocas distintas e contribuindo para a evolução das armas que os acompanharam. É vital diferenciar entre eles para compreender a verdadeira narrativa da espada de Godofredo I, ou seja, Godofredo de Bulhão.
| Época | Evento |
|---|---|
| Século VIII — Godofredo I (rei dos dinamarqueses) | |
| Século VIII | Godofredo I, rei dos dinamarqueses, é também atribuído com a ordem de construção do Danevirke. As fontes não associam uma espada específica a este monarca. |
| Era Viking e transição (finais do século VIII – século IX) | |
| Finais do século VIII – séculos VIII–XI | As espadas do período viking incluem estilos carolíngios e as famosas espadas Ulfberht, que começam a circular por volta dos finais do século VIII e têm o seu apogeu entre os séculos VIII e XI. |
| Século IX — Godofredo da Frísia | Godofredo da Frísia, caudilho viking dinamarquês, nasce no século IX e atua nos finais desse século. |
| Ano 880 | Godofredo saqueia a Flandres. |
| Ano 882 | Inicia pilhagens na Lotaríngia; o imperador Carlos III, o Gordo, concede-lhe o Ducado da Frísia. |
| 882–885 | Controla grande parte da Frísia. |
| Junho de 885 | Godofredo da Frísia é assassinado. |
| Finais do século XI — Primeira Cruzada e Godofredo de Bulhão | |
| 1096–1099 (Primeira Cruzada) | A Primeira Cruzada transforma as táticas e o equipamento militar. Produz-se uma transição no design das espadas para formas mais adaptadas à cavalaria e ao combate da Alta Idade Média. |
| 1099–1100 | Godofredo de Bulhão, um dos líderes da Primeira Cruzada, torna-se o primeiro governante do Reino de Jerusalém (morre em 1100). A ele associa-se a famosa espada que inspira réplicas modernas. |
| Tipologia e design (contexto) | As espadas contemporâneas à Primeira Cruzada correspondem, segundo a tipologia de Oakeshott, aos Tipos X, Xa, XI e XII. O Tipo X é um remanescente da Era Viking (lâmina larga e tosca); o Tipo XI surge por volta do início da Cruzada, pensado para a luta a cavalo. |
| Réplica moderna | A réplica denominada “Espada Templária 322” é baseada no design atribuído à espada de Godofredo de Bulhão e nas formas de espada próprias da Alta Idade Média. |
| Resumo: evolução do armamento | |
| Evolução cronológica | As espadas Ulfberht e carolíngias da Era Viking (séculos VIII–XI) constituem os modelos iniciais; nos finais do século XI as formas evoluem para tipologias Oakeshott (XI/XII) mais adaptadas à cavalaria e ao estilo de combate dos cavaleiros, exemplificado na espada associada a Godofredo de Bulhão e replicada hoje como a Espada Templária 322. |
- Godofredo I (rei dos dinamarqueses)
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- Século VIII: Rei dos dinamarqueses, atribuído com a ordem de construção do Danevirke. Não se associa uma espada específica a este monarca.
- Era Viking e transição
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- Finais do século VIII – séculos VIII–XI: As espadas do período viking incluem estilos carolíngios e as famosas espadas Ulfberht.
- Século IX: Godofredo da Frísia, caudilho viking dinamarquês. Saqueia a Flandres (880), a Lotaríngia (882) e controla grande parte da Frísia (882–885). Assassinado em junho de 885.
- Finais do século XI — Primeira Cruzada e Godofredo de Bulhão
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- 1096–1099: A Primeira Cruzada transforma as táticas e o equipamento militar; as espadas adaptam-se à cavalaria.
- 1099–1100: Godofredo de Bulhão, líder da Primeira Cruzada e primeiro governante do Reino de Jerusalém. A sua espada inspira réplicas modernas.
- Tipologia e design: As espadas da Primeira Cruzada correspondem aos Tipos X, Xa, XI e XII de Oakeshott.
- Réplica moderna: A “Espada Templária 322” baseia-se no design atribuído à espada de Godofredo de Bulhão e nas formas de espada da Alta Idade Média.
- Resumo: evolução do armamento
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- Evolução cronológica: As espadas Ulfberht e carolíngias da Era Viking (séculos VIII–XI) evoluem para tipologias Oakeshott (XI/XII) mais adaptadas à cavalaria, como a espada associada a Godofredo de Bulhão.
A forja de um legado: Godofredo e o seu impacto
Quando evocamos o nome Godofredo associado a uma espada de lenda, mergulhamos nas épicas façanhas de Godofredo de Bulhão, uma figura central da Primeira Cruzada. Este nobre não foi apenas o primeiro governante do Reino de Jerusalém, mas a sua liderança e o seu profundo sentido da humildade cristã transformaram-no numa lenda. A sua espada, um símbolo tangível do seu poder e devoção, é muito mais do que uma arma; é um testamento de um espírito inabalável.
A Espada de Godofredo I, quase milenar, não foi apenas uma ferramenta de combate, mas um emblema que representou a união da força militar e uma fé inabalável. Este líder, que guiou um exército de aproximadamente 40.000 homens na Primeira Cruzada, não procurou a coroa terrena, mas sim o título de “Protetor do Santo Sepulcro”, declarando celebremente: “Não usarei coroa de ouro onde Cristo usou uma de espinhos”. Esta decisão marcou um marco de humildade religiosa que transcendeu até aos nossos dias.
A espada, um reflexo do seu portador
Uma espada é a alma do guerreiro. No caso de Godofredo de Bulhão, a arma simbolizava a sua liderança e a sua dedicação à causa. As réplicas modernas, como a conhecida Espada Templária 322, capturam a essência daquelas lâminas, forjadas com precisão artesanal por especialistas que seguiam as técnicas tradicionais. Cada detalhe, desde o gume até à empunhadura, era crucial para a perfeição da espada, uma arte onde a funcionalidade se unia à estética.
Estas réplicas de espadas forjadas em aço-damasco de 100 camadas dobradas, com maçanetas rebitadas e bainhas de madeira revestidas em couro, são mais do que simples objetos. São convites a conectar com a história, a sentir o peso de milénios de batalhas e a compreender o significado daqueles que as empunharam.
Esclarecendo incógnitas sobre a espada de Godofredo e o seu legado
Que simbolismo tem a espada de Godofredo de Bulhão?
A espada de Godofredo de Bulhão possui um profundo simbolismo multidimensional que transcende a sua função como arma.
Símbolo de autoridade e liderança cruzada
A espada representa a autoridade militar de Godofredo como líder da Primeira Cruzada e conquistador de Jerusalém em 1099. Tornou-se um emblema do poder e da influência do governante franco sobre o Reino de Jerusalém, adquirindo grande importância histórica e cultural ao longo dos séculos.
Emblema de humildade e fé cristã
O simbolismo mais profundo desta espada está ligado à recusa de Godofredo da coroa de ouro após a conquista de Jerusalém. Ele adotou o título de “Protetor do Santo Sepulcro” em vez de aceitar a coroação como rei, expressando a sua famosa frase: “Não usarei coroa de ouro onde Cristo usou uma de espinhos”. Esta decisão reflete uma profunda humildade religiosa, e a espada é exibida frequentemente junto à coluna da flagelação, uma relíquia que sublinha o sofrimento de Cristo e reforça o aspeto espiritual da empresa cruzada.
Significado sagrado em cerimónias
A espada adquiriu um papel cerimonial fundamental na Ordem do Santo Sepulcro. Desde o século XVI, foi utilizada nas cerimónias de investidura de novos cavaleiros, onde o Custódio franciscano da Terra Santa realizava a unção com ela, traçando a cruz no ar três vezes antes de tocar os ombros do candidato. Este uso ritual transformou a espada num objeto de transmissão de fé e autoridade eclesiástica, permitindo que cada novo cavaleiro se conectasse simbolicamente com o legado das Cruzadas e com o próprio Godofredo.
Como a espada de Godofredo influenciou as cerimónias de investidura?
A espada de Godofredo de Bulhão teve uma influência profunda e simbólica nas cerimónias de investidura da Ordem do Santo Sepulcro de Jerusalém.
A Origem da Prática
Após a conquista de Jerusalém em 1099 por Godofredo de Bulhão, estabeleceu-se a Ordem de Cavalaria do Santo Sepulcro. Nas primeiras décadas do século XIV, quando esta ordem começou a conferir investiduras de forma sistemática, a cerimónia centrava-se especificamente na utilização de uma espada particular: a que supostamente tinha pertencido ao próprio Godofredo.
A Cerimónia de Investidura
A cerimónia seguia um ritual muito específico. O candidato extraía a espada da sua bainha e entregava-a ao celebrante, que desenhava o sinal da cruz três vezes no ar com ela e depois tocava os ombros do candidato com a arma. Ao finalizar o rito, o novo cavaleiro devolvia a espada ao Custódio da Terra Santa, já que o exemplar utilizado era considerado relíquia histórica.
Significado Simbólico
A espada de Godofredo não era simplesmente uma arma, mas um símbolo de continuidade com o fundador da ordem e com os ideais que ele representava. Godofredo tinha recusado o título de rei de Jerusalém com a frase “Não usarei coroa de ouro onde Cristo usou uma de espinhos”, adotando em seu lugar o título de Protetor do Santo Sepulcro. A sua espada, exibida junto a relíquias da Paixão de Cristo, reforçava este caráter sacralizado da ordem.
A presença desta espada específica nas cerimónias de investidura transformou o ato em algo mais do que uma simples transmissão de poder: converteu-o numa conexão tangível com o fundador da ordem e com os valores religiosos que a sustentavam.
Que outros objetos históricos são exibidos junto à espada de Godofredo?
Junto à espada de Godofredo, são exibidos outros objetos históricos como uma bandeja de prata oferecida pelo grão-duque da Toscana, que é uma obra de grande finura e com muito significado histórico. Destaca-se também uma maquete do Santo Sepulcro realizada pelo franciscano Bartolomé de las Heras numa das salas do museu onde se encontra a espada. Estes objetos acompanham a espada e enriquecem o contexto histórico e espiritual da mostra. Além disso, trata-se de peças protegidas e valorizadas pela sua carga simbólica e conexão com a Terra Santa.
Qual é a história por trás da espada de Godofredo da Frísia?
A espada de Godofredo da Frísia está associada a Godofredo, um rei dinamarquês da época viking que dominou a Frísia nos finais do século IX. Foi um líder poderoso que expandiu o seu controlo sobre a região, estabelecendo bases táticas e pactuando com a Coroa francesa para consolidar o seu poder. O seu mandato caracterizou-se pela violência e pela ambição territorial, mas terminou com o seu assassinato no ano 885 por nobres locais, o que provocou o fim do seu domínio e o retrocesso do controlo dinamarquês na zona. A espada simboliza a sua figura como guerreiro e líder viking, embora não haja evidência concreta de que a espada que lhe é atribuída seja autêntica; a sua história mistura-se com lendas e relatos sobre a sua força e autoridade.
Que características tem uma espada decorativa de cruzados?
Uma espada decorativa de cruzados caracteriza-se por ter uma lâmina longa e reta, tipicamente de aço inoxidável, com um comprimento de cerca de 75 a 83 cm. A sua empunhadura é cruciforme, ou seja, com uma guarda em forma de cruz que simboliza a sua conexão com os cavaleiros cruzados. O pomo costuma ter forma de cruz e por vezes inclui detalhes como uma cruz vermelha, gravuras decorativas ou decorações em latão que reforçam o seu aspeto simbólico e medieval. A empunhadura pode estar forrada em couro para uma aderência cómoda e segura. Estas espadas são réplicas desenhadas com atenção ao detalhe para exibição, não feitas para combate real, e costumam vir com bainha decorativa, frequentemente de couro.
As suas características principais são:
- Lâmina longa, reta e de aço inoxidável.
- Empunhadura cruciforme e pomo com decoração em forma de cruz.
- Detalhes decorativos como gravuras na lâmina ou terminações em latão.
- Empunhadura ergonómica, frequentemente com revestimento de couro.
- Réplica decorativa inspirada em armas medievais dos séculos XI ao XIII.
Estas características refletem tanto a funcionalidade histórica como a carga simbólica das espadas usadas pelos cavaleiros cruzados.
O eco das espadas na era moderna
As espadas, como a de Godofredo de Bulhão, continuam a inspirar a criação de réplicas que permitem aos entusiastas da história e da cultura medieval conectar-se com o passado. Hoje, estas peças decorativas são desenhadas com uma atenção meticulosa ao detalhe, replicando a lâmina, a empunhadura cruciforme e os motivos decorativos que evocam a época dos cruzados. Cada réplica é uma homenagem à força, à fé e à lenda que estas espadas representaram.







