O que sussurra um brinco antigo quando balança ao vento medieval? A palavra brinco deriva do latim pendens, pendentis, que significa algo que pende, que está pendurado, suspenso; o mesmo termo deu nome ao brinco, arrecada ou argola que, desde a Antiguidade, tem servido para adornar as orelhas e para comunicar posição social, devoção e gosto estético.
Neste artigo, explorará como eram os brincos medievais, que materiais e técnicas marcaram a sua evolução e que símbolos carregavam, desde a corte bizantina até aos ateliers artesanais da Baixa Idade Média. Também encontrará uma cronologia visual que situa os marcos chave do seu uso.
Adornos de orelha na Idade Média: evolução e marcos
A história dos brincos na Idade Média não é linear: há épocas de ostentação e outras em que os toucados ocultam a joia. A tabela seguinte recolhe, por ordem cronológica, os principais marcos e tendências no uso de brincos (e outros adornos para as orelhas) desde a Antiguidade tardia até à transição para o Renascimento, segundo as fontes disponíveis.
| Época | Evento |
|---|---|
| Império Bizantino (séculos IV–XV) | |
| Séculos IV–XV | Homens e mulheres usavam grandes argolas, frequentemente adornadas com motivos cristãos como cruzes. A tradição bizantina manteve alguma continuidade no uso de brincos ostensivos. |
| Idade Média inicial e moda geral (c. 500–c. 1200) | |
| c. 500–c. 1200 |
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| Alta e Baixa Idade Média: ascensão e diversidade de formas (séculos XII–XV) | |
| Séculos XII–XV |
|
| Contexto islâmico hispânico — Málaga nasrida / Granada (séculos XIII–XV) | |
| Séculos XIII–XV | Na necrópole muçulmana do Hospital Real junto à Puerta Elvira (Granada) foram documentados brincos, contas e outros objetos sumptuários, evidenciando a presença e variedade de adornos auriculares em contextos nasridas. |
| Transição para o Renascimento (séculos XV–XVI) | |
| Séculos XV–XVI |
|
| Resumo | |
| Função e significado | Embora a moda e os toucados medievais tenham reduzido a sua visibilidade quotidiana, os brincos permaneceram como joias ornamentais de alto valor, indicador de estatuto e, por vezes, usados com finalidade comunicativa no cortejo. A sua forma e ostentação variou muito segundo a região, classe e época. |
Materiais e técnicas: do ouro à filigrana
Os brincos medievais refletem a hierarquia económica e as capacidades técnicas da sua época. Na nobreza predominaram o ouro e a prata, engastados com granadas, ametistas, pérolas e esmaltes. Entre a gente comum, usaram-se o bronze, o cobre, o ferro e materiais orgânicos como osso, madeira ou marfim.
As técnicas que dominaram os ateliers foram a filigrana, o granulado, o esmalte, a fundição e o engaste. Estas práticas permitiram desde peças simples até pendentes complexos com correntes, pérolas e motivos simbólicos.
Exemplos visuais e motivos
Os motivos religiosos e heráldicos aparecem frequentemente em peças de alto valor; um dos ícones recorrentes em réplicas e estudos são as cruzes templárias e designs inspirados na simbologia cristã medieval.
Nem todas as peças eram simétricas ou monótonas: as joias podiam incorporar amuletos, contas de vidro esmaltado ou mesmo referências culturais distantes que chegavam por rotas comerciais.
Como ler um brinco medieval: forma, função e mensagem
Um brinco não é apenas adorno: o seu tamanho, material e decoração contam uma história. Observe estes três eixos para interpretar uma peça:
- Material: ouro e pérolas costumam indicar riqueza e acesso a redes comerciais.
- Forma: argolas simples vs. pendentes complexos; os pendentes longos sugerem exibição em eventos e cortejos.
- Motivo: cruzes, motivos religiosos ou símbolos heráldicos falam de identidade e afiliação.
A título ilustrativo, algumas peças de recriação misturam influências literárias e fantásticas com elementos históricos, como se aprecia em réplicas com motivos inspirados em relatos épicos.
Réplicas e designs inspirados na Idade Média
Hoje, o gosto pela recriação histórica e pela estética medieval incentivou a criação de réplicas que recriam técnicas e formas antigas. Estas peças procuram captar a essência dos originais: materiais aparentes, motivos simbólicos e acabamentos que evoquem o trabalho manual do ourives.
Esclarecemos incógnitas sobre os brincos medievais
| Tipo de óleo | Características principais | Uso recomendado |
|---|---|---|
| Óleo mineral | Alta penetração, não se degrada nem atrai sujidade | Proteção regular e manutenção |
| Óleo de camélia | Natural, livre de ácidos, não volátil | Proteção antioxidante, lubrificação |
| Massa lubrificante de lítio | Densa, duradoura, não evapora | Armazenamento prolongado, proteção |
Quais eram os materiais mais utilizados para fabricar brincos na Idade Média
Os materiais mais utilizados para fabricar brincos na Idade Média eram principalmente ouro, prata, bronze e ferro. Além disso, incorporavam-se pedras preciosas e semipreciosas como granadas, ametistas, âmbar, esmeraldas e safiras, assim como pérolas e vidro esmaltado para decorar as peças. Também se usavam técnicas como o repuxado, gravado e granulado para trabalhar estes metais e criar joias elaboradas, especialmente para a nobreza e a realeza, enquanto materiais mais simples como o bronze e o ferro eram usados entre as classes populares. Outros materiais menos comuns incluíam madeira e osso para joias mais simples.
O que simbolizavam os brincos medievais em termos de estatuto social
Os brincos medievais simbolizavam o estatuto social e a pertença a um grupo determinado, sendo um indicativo visível de riqueza e posição dentro da hierarquia social. Em particular, quem usava brincos de materiais e designs elaborados pertencia, geralmente, à nobreza ou a classes altas, enquanto alguns homens também os usavam como símbolo de estatuto ou afiliação social. A qualidade, o tipo e a complexidade das joias —incluindo brincos— refletiam a posição social do portador e eram reguladas por normas sociais e codificadas em ordenanças de vestuário.
Como é que as tendências artísticas da época influenciavam o design dos brincos
As tendências artísticas influenciam design dos brincos principalmente através da incorporação de elementos formais e conceptuais próprios de cada movimento artístico, como as formas geométricas do cubismo ou a utilização de cores e texturas audazes do expressionismo e fauvismo. Isto traduz-se em brincos que podem ser desde minimalistas e inovadores até grandes, vistosos e com impacto visual, aproximando a joalharia de ser considerada uma forma de arte portátil que reflete emoções, histórias e criatividade para além do mero ornamento.
Por exemplo, a geometria e a angulosidade do cubismo inspiram brincos com linhas fragmentadas e planos combinados, enquanto as correntes expressionistas aportam cor e texturas intensas que procuram provocar emoções. Além disso, a tendência atual para materiais sustentáveis e designs artesanais também responde a uma consciência artística contemporânea que valoriza tanto a estética como a mensagem ambiental e social de cada peça.
Em resumo, as correntes artísticas moldam os brincos ao influenciar as suas formas, cores, técnicas e materiais, fazendo com que estas joias sejam expressões criativas que refletem o contexto cultural e artístico da sua época.
Que diferenças existiam entre os brincos das classes nobres e das classes mais baixas
As diferenças entre os brincos das classes nobres e das classes mais baixas radicavam principalmente nos materiais, no design e no simbolismo. Os brincos da nobreza costumavam ser de metais preciosos como ouro e prata, adornados com joias ou pedras finas, mostrando riqueza, estatuto social e poder. Em contraste, os brincos das classes baixas eram geralmente de materiais comuns e menos dispendiosos, com designs mais simples ou até improvisados, refletindo o seu menor acesso a recursos e a sua posição social inferior.
Que técnicas de joalharia foram desenvolvidas durante a Idade Média para criar brincos
Durante a Idade Média, para criar brincos foram desenvolvidas várias técnicas de joalharia, de entre as quais se destacam:
- Forja: moldagem do metal através de martelagem e dobragem para dar forma às peças.
- Fundição: aquecimento e vazamento do metal em moldes para obter formas complexas.
- Filigrana: entrelaçamento de finos fios de ouro ou prata para desenhar padrões detalhados e decorativos.
- Engaste: colocação precisa de pedras preciosas em armações metálicas para assegurar e realçar a sua beleza.
- Esmaltagem: aplicação de pó de vidro colorido sobre o metal que é aquecido para criar uma superfície decorativa e brilhante.
- Cloisonné: criação de células com fios de metal preenchidas com pedras ou esmalte para decorar.
Estas técnicas combinavam habilidades manuais de precisão e paciência, e eram empregadas para fabricar peças que iam desde brincos até broches e pendentes, utilizando principalmente ouro, prata e pedras preciosas. O trabalho de ourivesaria era muito elaborado, especialmente para joias complexas ou de alto valor simbólico. Além disso, usavam-se métodos de repuxado e outros detalhes decorativos para embelezar as joias medievais.
Peças chave para recordar:
| Tipo | Material frequente | Função |
|---|---|---|
| Argolas simples | Bronze, cobre | Uso quotidiano, acessível para classes populares |
| Brincos pendentes com pérolas | Prata, ouro, pérolas | Exibição em cortejo e cerimónias |
| Brincos com motivos religiosos | Ouro, esmalte | Expressão de devoção e estatuto |
A última palavra: Os brincos medievais são pequenos relatos em metal e pedra. Cada argola e cada pendente condensam técnica, viagem de materiais e códigos sociais. Observá-los com atenção permite ler a sociedade que os criou e compreender melhor os costumes, os gostos e as crenças de uma época que, através das suas joias, ainda fala.
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