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Espadas de cesto: a guarda que mudou o combate e a história

Uma espada pode contar a história de uma época. Com a sua guarda em forma de cesto, essas lâminas que abraçam a mão do guerreiro não só defendiam do aço inimigo: encarnavam prestígio, técnica e uma resposta engenhosa à violência organizada no campo de batalha.

Um gancho para a imaginação

O que sentirias ao empunhar uma espada cuja empunhadura envolve a tua mão como uma jaula protetora? Essa sensação mistura segurança e poder. Desde o século XVI, a espada de cesto ganhou um lugar na guerra, na escolta de oficiais e na iconografia da honra militar.

Neste artigo aprenderás a reconhecer as suas características essenciais, a entender a sua evolução histórica, a identificar as variantes mais significativas e a valorizar o porquê de continuar a ser objeto de estudo, prática e colecionismo entre aficionados e recriadores históricos.

História e evolução das espadas de cesto

Data Evento
1545 Recuperação de uma das primeiras espadas de cesto no naufrágio do Mary Rose, confirmando o seu uso no século XVI; antes deste achado, as peças mais antigas datadas eram da Guerra Civil Inglesa.
Século XVI Aparição e popularização inicial da empunhadura de cesto. Guardas simples de arame e o design básico de cesto já estavam a consolidar-se; as espadas eram geralmente de corte e estocada. É provável que os conquistadores espanhóis tenham trazido este tipo de armas para o Chile durante os primeiros anos da Guerra de Arauco. A espada ropera/rapier e a schiavona também começaram a usar guarnições de cesto no Renascimento.
Século XVII (início e desenvolvimento) O design da espada de cesto ganha popularidade e generaliza-se na Europa; surgem variações regionais (valona, Sinclair, schiavona, mortuária, espada larga escocesa). Recomenda-se que a empunhadura facilite o manuseamento e evite que a espada escorregue ou caia.
Depois de 1625 Uso da espada mortuária pela cavalaria durante a Guerra Civil Inglesa; armas de corte e estocada com frequência de duplo gume e empunhaduras de meio cesto muito ornamentadas.
1649 (depois de) Após a execução de Carlos I, fabricam-se espadas de cesto com empunhaduras que representam o rosto ou a máscara mortuária do “rei mártir”.
Até aproximadamente 1670 As espadas mortuárias mantêm-se em uso até cerca de 1670, quando começam a ser substituídas pelo espadim entre civis.
1672 A França adota a espada valona como a sua primeira espada regulamentar após as campanhas nos Países Baixos.
Finais do século XVII e princípios do XVIII A espada larga escocesa com empunhadura de cesto (claymore/claidheamh mór) é comum entre membros de clãs nas rebeliões jacobitas.
1746 O design das espadas de cesto está plenamente consolidado; existem muitas variantes regionais no norte de Inglaterra e Escócia. Uma versão da coleção Battlecry inspira-se num design que poderia ter sido visto na Batalha de Culloden.
Todo o século XVIII Uso generalizado da espada de cesto, especialmente na cavalaria pesada, até à era napoleónica. Na Europa, as espadas de cintura regulamentares (por exemplo, o modelo francês) tornam-se acessórios essenciais do traje de oficial.
Século XIX O termo “empunhadura Sinclair” é aplicado por antiquários vitorianos a espadas escandinavas com semelhança às escocesas dos séculos XVII–XVIII; consolida-se o interesse antiquário por estas variantes.
Resumo: As espadas de cesto surgiram no século XVI, alcançaram a sua maior popularidade e diversificação nos séculos XVII–XVIII, sendo usadas por cavalaria pesada e a nobreza; o seu design básico perdura em espadas de desfile militares até à atualidade.

Anatomia da guarda: o que protege e como funciona

A intenção do cesto é simples e, ao mesmo tempo, brilhante: proteger a mão sem sacrificar a mobilidade. A estrutura metálica rodeia a empunhadura, evitando cortes, golpes diretos e pinças no combate corpo a corpo.

Partes que deves conhecer

  • Pomo: contrapeso e remate que ajuda ao equilíbrio e assegura a espiga.
  • Espiga e botão de espiga: elemento interno que atravessa a empunhadura e se fixa com rebites ou parafuso no pomo.
  • Cazoleta: peça em alguns designs que cobre parte da mão e estabiliza a empunhadura.
  • Ricasso: secção sem gume junto à guarda que permite um agarre adiantado.
  • Lâmina: variações em largura, espessura e ponta conforme a função (corte, estocada ou mista).
  • Fiador (dragona): correia que liga a guarda ao pulso; em alguns períodos foi funcional, noutros um adorno de gala.

Tipos e famílias: da schiavona à broadsword escocesa

A categoria “espada de cesto” agrupa várias soluções regionais. Cada design responde a um contexto militar, à técnica de combate e ao gosto estético da sua época.

Schiavona

De origem italiana, popular no século XVII, a schiavona apresenta um cesto decorado e robusto. Foi apreciada por mercenários e cavalaria pesada pela sua resistência no choque.

Espada mortuária

Conhecida por guardas ornamentadas e o seu uso durante a Guerra Civil Inglesa, a mortuária combinava capacidade de corte e estocada com uma proteção superior para a mão do cavaleiro.

Broadsword ou espada larga escocesa

A variante escocesa é icónica: uma lâmina larga, eficaz em corte, com uma guarda que em muitos modelos se torna um emblema identitário. Associada tanto ao uso militar como à tradição dos clãs.

Valona e Sinclair

A valona foi adotada pela França no século XVII como modelo regulamentar após campanhas nos Países Baixos. A empunhadura Sinclair, citada depois por antiquários, mostra a transferência de formas entre regiões.

Réplicas e modelos representativos

Recriar uma espada de cesto exige equilíbrio entre autenticidade e funcionalidade. Muitas réplicas modernas reproduzem detalhes estéticos e proporções históricas, incorporando materiais contemporâneos que facilitam a sua conservação e uso em práticas controladas.

Aqui tens um exemplo técnico que ilustra proporções habituais em réplicas de tamanho real:

  • Comprimento total: aproximadamente 99 cm.
  • Comprimento da lâmina: cerca de 83 cm.
  • Peso médio: 1,1–1,6 kg dependendo do estilo e do aço.
  • Comprimento da empunhadura: 15–17 cm para permitir agarre a uma mão e meio agarre adiantado.
  • Largura da lâmina: variável: 3 cm na guarda a 2 cm na ponta em modelos de corte-estocada.

Um exemplo prático conservado em registos comerciais descreve uma espada com: comprimento 99 cms, lâmina 83 cms, peso 1.16 Kg, empunhadura 16.5 cms, centro de gravidade 8 cms, larguras e espessuras que facilitam tanto o corte como a estocada; fabricação atribuída a marcas reconhecidas em réplicas.ESPADA CESTA EMPUÑADURA

Materiais e forja: do aço tradicional às ligas modernas

A qualidade do aço e o processo de têmpera são determinantes para uma lâmina que resista e mantenha o seu gume. Antigamente, centros como Solingen, Toledo e Saint Etienne estabeleceram padrões de reputação pelos seus recursos e técnicas de tratamento do metal.

Hoje, as réplicas e lâminas funcionais costumam empregar aços carbono (por exemplo, 1065) ou aços com tratamentos térmicos controlados que atingem durezas adequadas para prática segura, equilibrando tenacidade e resistência ao desgaste.

Forja e têmpera

  • Forjado: soldar e conformar a forma básica, por vezes com laminagem para homogeneizar o grão do aço.
  • Têmpera: aquecer e arrefecer para obter a combinação desejada de dureza e elasticidade.
  • Revenimento: processo que reduz tensões internas e evita fragilidade.

A técnica tradicional enfatiza um tratamento do gume que permite cortes eficientes sem sacrificar a capacidade de absorção de impactos.

A técnica de uso: esgrima, cavalaria e combate próximo

A espada de cesto não é apenas um troféu visual: o seu design facilita manobras precisas. A proteção da mão amplia a confiança do utilizador para executar cortes e estocadas com menor risco de perder a arma por um golpe lateral.

Na cavalaria, onde os contactos eram bruscos e a palma ficava exposta, o cesto demonstrou o seu valor. Em esgrima a pé, permitiu técnicas que combinam cortes amplos e empurros de ponta ao tronco.

Princípios de manuseio

  • Equilíbrio: a distribuição do peso entre lâmina e pomo define a velocidade de recuperação.
  • Agarre adiantado: usar o ricasso para maior controlo em estocadas precisas.
  • Proteção passiva: o cesto absorve impactos que noutras empunhaduras atingiriam a mão.

Manutenção, conservação e segurança

Manter uma espada de cesto em condições implica higiene do metal e cuidado da empunhadura. Embora muitas réplicas usem aços inoxidáveis, o tratamento preventivo da ferrugem e a revisão de rebites e fixações é essencial para a segurança na prática.

  • Limpeza: secar e lubrificar a lâmina após o uso para prevenir corrosão.
  • Revisão do cesto: verificar rebites e soldaduras para evitar falhas estruturais.
  • Armazenamento: evitar humidade e apoios que deformem a lâmina.

Estes cuidados prolongam a vida da peça e mantêm a sua estética épica e original.ESPADA DE CESTA AÑO 1760

Iconografia e simbolismo: a espada como estandarte

Além da sua funcionalidade, a espada de cesto tornou-se símbolo de distinção e de posição social. Nos gabinetes militares e na indumentária de gala, as guardas trabalhadas representavam estatuto e pertença a uma tradição marcial.

Na tradição ibero-americana, muitas peças que circularam entre oficiais ilustram a mistura de formas europeias e detalhes locais; as empunhaduras como a de influência francesa ou prussiana falam de itinerários culturais e militares que cruzaram oceanos.

Casos históricos e proprietários ilustres

Algumas figuras militares históricas são conhecidas pelo tipo de armas que portavam; as suas espadas evocam períodos, batalhas e estilos de liderança. Em diversos inventários da época figuram espadas de cintura e sabres com guarda trabalhada que acompanharam oficiais em campanhas decisivas.

Variantes navais e sabres de guarda

No mar e espaço reduzido, as guardas protetoras também evoluíram. Modelos de sabres marinhos e sabres de cavalaria incorporaram guardas robustas para evitar lesões nos combates a bordo ou em carga e descarga com contacto próximo.Espada inglesa de cesta, s. XVII-XVII EMPUÑADURA

Porquê interessam hoje as espadas de cesto?

Há várias razões pelas quais estas armas recuperaram protagonismo entre aficionados: a sua estética poderosa, a sua eficiência na proteção da mão e o seu vínculo com técnicas históricas de esgrima. Além disso, a comunidade de prática histórica e HEMA encontra nestas peças uma ferramenta para estudar movimentos, distâncias e emprego realista das armas brancas.

Tendências atuais

  • Recriação histórica: recriadores procuram réplicas fiéis para representar períodos concretos.
  • Treino funcional: alguns praticantes utilizam réplicas de aço para estudar a técnica.
  • Design contemporâneo: artesãos combinam fidelidade estética com melhorias em materiais para durabilidade.

Exemplos técnicos e notas de referência

A descrição técnica incluída em catálogos comerciais ou fichas de fabricante costuma ajudar a identificar o propósito da peça: se é decorativa, funcional ou de prática. Uma ficha habitual pode incluir medidas de comprimento, peso, centro de gravidade, largura e espessuras em distintos pontos da lâmina, e a indicação do fabricante ou oficina.

A ficha técnica que circula em registos comerciais menciona: Comprimento 99 cms, Comprimento lâmina 83 cms, Peso 1.16 Kg, Comprimento empunhadura 16.5 cms, Centro de gravidade 8 cms, Largura da lâmina (na guarda) 3.18 cms, Largura da lâmina (na ponta) 2.21 cms, Espessura da lâmina (na Guarda) 0.6 cms, Espessura da lâmina (na ponta) 0.25 cms, Fabricante: CASS HANWEI (PAUL CHEN).

Estes dados servem para comparar e entender como certas réplicas procuram replicar o comportamento das peças históricas sem assumir os limites do material antigo.

Como integrar uma espada de cesto numa coleção ou prática

Se procuras uma peça para treino ou exposição, pensa na sua função: será de prática, demonstração ou decoração? Cada uso exige especificações distintas em aço, tratamento e montagem.

  • Prática: escolher aço resistente e lâminas com têmpera controlada.
  • Demonstração: equilíbrio entre acabamento histórico e segurança.
  • Decoração: maior liberdade estética, menos exigências funcionais.

Respeito pela história e pela arte da espada

Empunhar uma espada de cesto é, para muitos, uma ponte com o passado. Seja pela sua presença numa cena de batalha recriada ou pelo valor da sua forma e proporções para estudo, há sempre uma dimensão ética: usar a peça com respeito e entender o seu contexto histórico. Esse respeito alimenta a paixão por conservar técnicas, forjas e relatos que deram forma a estas guardas protetoras.

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A espada de cesto tem sido uma resposta técnica a uma procura muito humana: proteger a mão na luta pela sobrevivência, pela honra e pela vitória. Hoje a sua presença lembra-nos que o design militar é, muitas vezes, a síntese de necessidade, arte e símbolo.