A espada templária evoca imagens de honra, fé e batalhas lendárias. Para os Cavaleiros da Ordem do Templo, esta não era simplesmente uma arma, mas um símbolo profundo dos seus votos, da sua missão e da sua própria identidade. Neste artigo detalhado, exploraremos como eram estas espadas, o que simbolizavam, como eram usadas e porque continuam a fascinar hoje em dia historiadores, colecionadores e aficionados da história medieval.
A Ordem do Templo: monges e guerreiros
A Ordem dos Pobres Cavaleiros de Cristo e do Templo de Salomão, mais conhecida como a Ordem do Templo, foi fundada por volta de 1118 por Hugo de Payns e outros sete cavaleiros franceses. A sua missão original era proteger os peregrinos que viajavam para a Terra Santa, mas em breve o seu papel expandiu-se para a luta ativa nas Cruzadas e, na Península Ibérica, na Reconquista.
Durante os séculos XII e XIII, os templários, juntamente com ordens como os hospitalários e os calatravos, constituíram um exército autónomo e profissional. As generosas doações da cristandade proporcionaram-lhes um enorme poder económico e territorial, transformando-os numa entidade política e militar de grande influência na Europa.
A meados do século XIII, a fama dos templários era lendária pela sua disciplina e sucesso no campo de batalha, mas a sua prosperidade também gerou invejas e desconfianças. Em 1307, o rei Filipe IV de França, acossado por dívidas e ambições, iniciou uma campanha que levou à prisão em massa, ao processo e à eventual dissolução da Ordem em 1312, com a consequente confiscação de bens.
Como era a espada templária: forma e tipologia
A espada de um templário não costumava ser um objeto ostensivo: o seu design obedecia a uma finalidade prática e a um voto de austeridade. Cada irmão recebia um equipamento regulamentar na comenda que incluía, entre outros elementos, a espada, o capacete, a lorigão e a adaga.
As espadas templárias eram armas polivalentes pensadas para o combate tanto montado como a pé. Predominava a espada de arção, de duplo fio e com uma lâmina relativamente reta provida de uma larga canelura ou “fuller” para aliviar e reforçar a estrutura.
Segundo a tipologia clássica de Oakeshott, muitas destas peças encaixariam nos tipos X, Xa ou XI, com variações em comprimento e peso de acordo com o uso previsto. Algumas espadas eram desenhadas para golpes contundentes e outras para estocadas precisas. Embora no final do século XII tenham aparecido lâminas mais longas pensadas para empunhaduras a duas mãos, a prática templária preferia lâminas leves para o combate montado e peças de lâmina mais curta e pesada para a luta corpo a corpo a pé.
Um equipamento típico que um templário recebia incluía:
- Espada de arção (arma principal).
- Lança comprida para a carga a cavalo.
- Maça ou machado para partir cotas de malha e escudos.
- Adaga para o combate próximo e como ferramenta.
- Escudo e armadura (lorigão, capacete, calções de ferro).
O peso de uma espada templária podia variar amplamente; os “mandobles” ou armas de impacto pesado atingiam cerca de 1,5 kg, enquanto as lâminas mais finas e longas para cavalaria eram mais leves e manuseáveis.
Empunhadura, punho e guarda: austeridade com símbolos
Os registos diretos sobre o design exato das empunhaduras templárias são limitados, mas a evidência arqueológica e as representações iconográficas permitem intuir algumas constantes. A empunhadura tendia a ser simples, com punhos discoidais ou arredondados que facilitavam o equilíbrio da lâmina e não acrescentavam ornato desnecessário.
A guarda, também chamada de arriaces, podia ser reta ou algo espatulada, uma forma coerente com a cruz que identificava a Ordem. Em muitas representações, a cruz de patas aparece em mantos, escudos e acessórios, e às vezes gravada ou representada nas próprias espadas.
Cronologia de espadas e armas Templárias (1118-1312)
A simbologia oculta na lâmina
Para os templários, a espada era mais do que um instrumento de guerra: era um ícone de autoridade, pureza espiritual e dever. A lâmina associava-se à luz, ao fogo e à purificação; frequentemente foi usada como metáfora da batalha contra a ignorância e a injustiça.
É comum encontrar inscrições nas réplicas e em algumas peças históricas com lemas religiosos. O mais famoso, “Non nobis, Domine, non nobis, Sed Nomini Tuo Da Gloriam”, lembra que a glória devia ir para o nome de Deus e não para o guerreiro. Esta mentalidade sublinhava a vocação espiritual da Ordem apesar da sua natureza militar.
A cruz templária, sobretudo a cruz de patas vermelha sobre fundo branco, era o emblema visual mais reconhecível. Era usada em mantos, estandartes e, por vezes, em empunhaduras e punhos. A cruz representava o martírio de Cristo e a disposição a sacrificar a própria vida pela fé.
O selo templário e a mensagem simbólica
O selo dos Templários, com dois cavaleiros montados num só cavalo, é uma das imagens mais icónicas associadas à Ordem. Representava a pobreza inicial dos fundadores e, ao mesmo tempo, uma ideia mais profunda sobre a dualidade: monges e guerreiros, corpo e espírito, convivência de culturas na Terra Santa.
A inscrição em latim, “Sigillum Militum Xpisti” (O selo dos soldados de Cristo), reforçava a identidade marcial e espiritual ao mesmo tempo. Para um templário, portar uma espada com símbolos era recordar a razão última da sua missão e os limites éticos que devia observar.
A têmpera: técnica e metáfora
O processo metalúrgico da têmpera não só afetava a resistência e elasticidade da lâmina, mas também adquiriu um significado iniciático dentro do imaginário templário. Temperar uma espada chegava a ser entendido como um paralelo da têmpera interior do cavaleiro: fortaleza, clareza e autocontrolo.
Do ponto de vista prático, a têmpera consistia em aquecer a lâmina até uma temperatura determinada e depois arrefecê-la rapidamente, o que modificava as propriedades do aço. O objetivo era lograr uma combinação ótima entre dureza e tenacidade, evitando que a lâmina se quebrasse em combate.
Na tradição simbólica, a espada “temperada” representava um iniciado que tinha sido provado e purificado, preparado para cumprir com o seu dever sem ceder à ambição ou à ira.
Espadas templárias no combate: táticas e uso
No campo de batalha, os templários desdobravam táticas combinadas. Na carga a cavalo, a lança era a arma principal, mas a espada desempenhava um papel central no combate próximo e em assaltos a pé. A versatilidade da espada templária tornou-a um elemento essencial do arsenal do cavaleiro.
Quando lutavam a pé, os templários complementavam a espada com a adaga e a maça. As técnicas de esgrima medieval combinavam golpes, estocadas e empurrões com a empunhadura para desequilibrar o oponente. A disciplina marcial da Ordem e a formação contínua faziam de cada irmão um combatente eficaz tanto na defesa como na ofensiva.
Como identificar uma espada templária autêntica
Determinar se uma espada é autêntica e relacionada com a Ordem do Templo requer um conjunto de evidências. Entre os critérios a considerar estão:
- Contexto arqueológico: achados associados a jazidas medievais ou enterramentos documentados.
- Tipologia da lâmina: correspondência com as formas e medidas do período (X–XI segundo Oakeshott).
- Gravuras e inscrições: presença de lemas, cruzes ou selos que possam ser datados com métodos históricos e científicos.
- Análise metalúrgica: composição do aço, técnicas de forja e padrões de têmpera compatíveis com a Idade Média.
Se procura uma réplica ou uma peça para coleção, na nossa loja online oferecemos reproduções fiéis aos modelos históricos, com diferentes acabamentos e qualidades de acordo com o uso previsto: decorativo, reconstituição ou prática.
[prestashop_produtos categoria_id=”365″ cantidad=”10″ orden=”random”]
Conservação e cuidado de uma espada templária (réplica ou histórica)
Uma espada, seja réplica ou histórica, requer cuidados básicos para manter a sua condição. A prevenção da ferrugem, a limpeza após o uso e o armazenamento em condições secas são fundamentais para preservar o metal e as gravuras.
Recomendações práticas:
- Limpar a lâmina com óleo e um pano suave após manuseá-la.
- Evitar o contacto prolongado com a humidade e ambientes salinos.
- Utilizar capas ou suportes que permitam a circulação do ar.
- Forrar a empunhadura com materiais adequados para evitar a corrosão pelo suor.
Réplicas e colecionismo: diferenças e conselhos de compra
As réplicas comerciais de espadas templárias variam desde peças claramente decorativas até reproduções funcionais aptas para prática e recreação histórica. Antes de comprar, convém perguntar qual será o uso principal: exibição, manuseamento leve, reconstituição ou corte.
Pontos a valorizar ao adquirir uma réplica:
- Tipo de aço e o seu tratamento térmico.
- Qualidade da montagem (espiga, montagem do pomo e da guarda).
- Acabamento e gravuras fiéis a modelos históricos se se procura autenticidade.
Se procura onde comprar, pode fazê-lo na nossa loja online, onde oferecemos diferentes gamas e aconselhamento para escolher a espada templária que melhor se adapta às suas necessidades.
O legado das espadas templárias hoje
A imagem da espada templária continua a alimentar a cultura popular, a literatura, o cinema e a recriação histórica. Além do romantismo, estas armas remetem para uma complexa realidade histórica: ordens militares religiosas com regras estritas, tensões políticas e um papel relevante na configuração da Europa medieval.
Hoje, as espadas conservadas em museus ou as réplicas de qualidade servem como ponte entre o passado e o presente. Permitem-nos entender aspetos técnicos da metalurgia medieval, bem como refletir sobre valores como a disciplina, a fé e as contradições do poder.












